Este espaço, criado para a Unidade Curricular de Metodologia de Investigação I, do Mestrado em Educação e Tecnologias Digitais, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, tem como principal objetivo a construção do meu Ambiente Pessoal de Aprendizagem, onde procurarei registar, organizar e sistematizar as minhas aprendizagens no domínio das Metodologias de Investigação.
domingo, 27 de dezembro de 2015
Comparação de Critérios entre Paradigmas
Primeira Sessão Síncrona

Na sessão síncrona do dia 24.11.15, na qual também não participei, segundo informações de colegas, foram abordados os Paradigmas da Investigação Científica, com especial relevo para as perspectivas positivista e relativista - Positivismo e Relativismo.
sábado, 26 de dezembro de 2015
PARADIGMA SOCIOCRÍTICO (emancipatório, neo-marxista, feminista, freiriano, participatório, transformista)
É uma amálgama de tendências, visíveis nas várias
designações a ele associadas e junta um conjunto de investigadores para quem o
paradigma interpretativo não foi uma solução (“…mudou as regras mas não a
natureza do jogo” Mertens, 1997, p.15).
De forma simplista o paradigma emancipatório é uma
versão modernizada da filosofia marxista.
Este paradigma é conceptualmente suportado pela Teoria
Crítica de Jurgen Habermas, pois é uma abordagem “crítica”, onde se desafia
tanto o reducionismo do paradigma positivista como o conservadorismo do
paradigma qualitativo/interpretativo na investigação em CSH.
Para Habermas (1974) nenhum dos dois anteriores
paradigmas incluem explicitamente nos seus objetivos a intenção de modificar o
mundo rumo à liberdade, justiça e democracia. Ele considera a existência de um
terceiro tipo de conhecimento que liga à sua Teoria Crítica – “o conhecimento
emancipatório, que visa desmascarar as ideologias que sustentam o status social
restringindo o acesso ao conhecimento aos grupos sociais mais oprimidos, numa
primeira fase, e, numa segunda fase, intervir de forma ativa para modificar
essas situações.
A Teoria Crítica rejeita a existência de um
conhecimento objetivo e de perspetivas neutras na investigação, porque todo o
investigador está situado socialmente e defende sempre os interesses de um dado
grupo social.
“O conhecimento é sempre uma construção social ligado a
um interesse de cariz técnico (paradigma positivista) ou a um interesse de comunicação
prática (paradigma qualitativo) ou ainda a um interesse crítico emancipatório.
Em suma, este paradigma apresenta semelhanças a nível
metodológico com o qualitativo mas a inclusão da componente ideológica
confere-lhe um cariz muito mais interventivo que está na origem de estudo sobre
curriculum, a administração educativa, e formação de professores e no
proliferar de metodologias de investigação que se agrupam em torno da
designação geral de “Investigação-Ação”.
Adaptado de Coutinho, C. (2015). Metodologia de investigação em ciências sociais e humanas: Teoria e Prática. Coimbra: Almedina
PARADIGMA QUALITATIVO OU INTERPRETATIVO (hermenêutico, naturalista, qualitativo, construtivista)
Apesar de ter surgido no início
século passado, com o nascimento da antropologia e da sociologia de Chicago,
foi apenas na década de 70, sobretudo nos EUA, que se assiste a uma explosão de
pesquisas levadas a cabo sob este novo referencial – é a 2ªfase ou período
“modernista” (Flick, 1998). Em meados dos anos 80 surge a 3ª fase da história
da investigação qualitativa e com os anos 90 surge a fase atual, ou 4º momento
(Flick, 1998), em que a tónica vai para a construção de teorias que se adaptem
a problemas/situações muito específicas e que é conhecida, na literatura
anglo-saxónica, por grounded theory (Flick,
1998; Punch, 1998).
Do ponto de vista ontológico,
segundo Guba (1990), este paradigma adota uma posição relativista, inspira-se
numa epistemologia subjetivista que valoriza o papel do investigador/construtor
do conhecimento, e por isso o quadro metodológico adotado é incompatível com as
propostas do positivismo e do pós-positivismo.
De forma sintética, este
paradigma pretende substituir as noções científicas de explicação, previsão e controlo do paradigma positivista pelas de compreensão, significado e ação.
Investigar implica interpretar
ações de quem é também intérprete, envolve interpretações de interpretações –
dupla hermenêutica. Além de parciais e perspetivadas as interpretações são
circulares. A interpretação da parte depende da do todo, mas o todo depende das
partes. Esta interação da interpretação todo/parte é designada por círculo
hermenêutico da interpretação. A produção do conhecimento é assim concebida
como um processo circular, iterativo e em espiral, não linear e cumulativo como
retratado na epistemologia positivista.
Segundo Gadamer (1975), um
conhecimento “objetivo” no sentido positivista é de todo impossível. Porém será
um conhecimento válido na medida em que, o ter consciência da influência da
“tradição” na sua interpretação, faz com que o investigador tenha uma maior
abertura de espírito no momento de interpretar. Estar consciente dos seus
preconceitos torna o investigador mais lúcido e o conhecimento que daí resulta
será mais objetivo.
Assim, a investigação é uma
“fusão de horizontes” – o investigador, consciente das suas ideias
pré-concebidas ( o seu horizonte), busca incessantemente o conhecimento abrindo
a “sua” a outras perspetivas (outros horizontes) que com ele se fundem, completam
e expandem.
Esta “fusão de horizontes” é, então, segundo Gadamer
(1975), o referencial da objetividade que funciona como alternativa à noção do
conceito segundo a epistemologia positivista.
Adaptado de Coutinho, C. (2015). Metodologia de investigação em ciências sociais e humanas: Teoria e Prática. Coimbra: Almedina.
PARADIGMA POSITIVISTA (quantitativo, empírico-analítico, racionalista, empiricista)
Procura adaptar o modelo das Ciências Naturais à
investigação das CSH, através de uma metodologia de cariz quantitativo.
A investigação em CSH seguiu este paradigma e do
pós-positivismo, o seu sucessor, impulsionados pelas ideias “positivistas”, tão
em voga no séc. XIX, baseadas no pensamento de Augusto Comte, que defendia a
primazia do estádio positivo do conhecimento baseado na observação.
Esta forma de ver o mundo, apoiada numa ontologia
realista (pretendia-se descobrir como as coisas são e como trabalham mesmo,
procurando, como fim último, prever e controlar os fenómenos) encontrou na
metodologia experimental o instrumento mais eficaz para a sua concretização.
Então, o investigador deve equacionar hipóteses e submetê-las à confrontação
empírica (falsificação) sob rigoroso controlo experimental.
Neste sentido, aceitamos uma orientação nomotética
para a investigação em CSH, em que o conhecimento se questiona por hipóteses
causais e estatisticamente comprovadas.
“As hipóteses confirmadas podem generalizar-se a
outras populações ou a situações similares às estudadas. Pressupõe a existência
de relações simples entre os termos e conceitos técnicos do investigador, as
operações de investigação, as descobertas e as conclusões de investigação.
Considera-se sobretudo que a investigação social oferece os meios de criar
provas objetivas para evitar a subjetividade e os juízos de valor.”
Bible e Bramble (1986, citados em Pacheco, 1993, p.
10)
Para os defensores da teoria positivista, a Teoria é
fundamental; na base de uma investigação está sempre uma teoria que a orienta,
sendo que muitas vezes a investigação científica limita-se a comprovar essa
mesma teoria.
O movimento do
positivismo lógico (neopositivismo), nasce no séc. XX e integra, além de
Augusto Comte, várias figuras, naquele que ficou conhecido como o Círculo de
Viena.
Para estes, também, só o método científico dava
garantias de obtenção do conhecimento mais objetivo possível. A objetividade é
a palavra forte na epistemologia objetivista que está na base deste paradigma.
Esta epistemologia levou a um paradigma que enfatiza:
- o determinismo (há uma verdade que pode ser descoberta);
- a racionalidade (não podem existir explicações contraditórias);
- a impessoalidade (tanto mais objetivos e menos subjetivos melhor);
- previsão (o fim da investigação é encontrar generalizações capazes de controlar e prever os fenómenos;
- uma certa irreflexividade (na medida em que faz depender a validade dos resultados de uma correta aplicação de métodos esquecendo o processo de investigação em si).
O domínio da epistemologia
positivista/objetivista teve consequências na investigação em CSH a dois
níveis:
- foi dada importância à produção de conhecimento baseada na descoberta de factos e formulação de teorias visando a generalização;
- foram adotadas uma linguagem, metodologia e técnicas de medida e quantificação próprias das ciências naturais, que em muitos setores da comunidade científica são os únicos considerados válidos e aceites para investigação em CSH.
Adaptado de Coutinho, C. (2015). Metodologia de investigação em ciências sociais e humanas: Teoria e Prática. Coimbra: Almedina.
Paradigmas de Investigação em CSH
Tem existido polémica, de
cariz dicotómico, na identificação de “quantos” paradigmas enquadram a investigação
em CSH: quantitativo vs qualitativo; explicar vs compreender; investigação
positiva vs humanista, etc..
Atualmente há mais consenso na defesa de existência de três grandes paradigmas de investigação em CSH:
- Paradigma positivista ou quantitativo;
- Paradigma interpretativo ou qualitativo;
- Paradigma sociocrítico ou hermenêutico.
(Bisquerra, 1989; Latorre et al.,
1996; Morin, 1983)
Paradigmas da Investigação Social
Fonte: Cohen, L., Manion, L. and Morrison, K. (2011). Research methods in education. 7thedition. London: RoutledgeFalmer.
MÓDULO 2 - Paradigmas de investigação em Educação
OBJETIVOS:
- Distinguir os principais paradigmas de investigação em Educação e respetivos fundamentos ontológicos, epistemológicos e metodológicos;
- Tomar consciência dos principais desafios de natureza deontológica e ética na investigação científica em geral, e na investigação em educação em particular;
CONTEÚDOS:
- Principais paradigmas da investigação em Educação.
- Caracterização e fundamentos de natureza ontológica, epistemológica e metodológica.
- Desafios e limites de cada uma das abordagens.
- Deontologia e ética na investigação.
Investigação e Avaliação (Research Methods in Education)
Fonte: Cohen,
L., Manion, L. and Morrison, K. (2011). Research
methods in education. 7th edition. London: RoutledgeFalmer.
Métodos de Investigação em Educação
Nas minhas pesquisas sobre a
temática da Investigação em Educação encontrei este Livro: Research methods in education, cujos autores LOUIS
COHEN, LAWRENCE MANION & KEITH MORRISON, se
debruçam sobre a gama de métodos utilizados atualmente na investigação em
educação, em todos os níveis. Este livro, que já vai na 7ª Edição, oferece abundantes,
ricos e práticos conselhos sustentados por fundamentos teóricos claros,
evidências de investigação e referências atualizadas.
Este livro é composto por cinco
partes:
1ª Parte: The Context Of Educational Research;
2ª Parte: Planning Educational Research;
3ª Parte: Styles Of Educational Research;
4ª Parte: Strategies And Instruments For Data
Collection And Researching;
5ª Parte: Data Analysis.
Neste
momento, no contexto deste primeiro módulo, o livro será interessante de
analisar nas duas primeiras partes. Conta, também, com um sítio da internet
para auxiliar a sua utilização. Este sítio possui vários recursos, sendo de destacar:
- apresentações, em powerpoint, com o resumo dos capítulos;
- recursos adicionais, para determinados capítulos;
- weblinks, por capítulos.
Segunda Sessão Síncrona
No dia 16.11.15 aconteceu a 2ª
sessão síncrona desta Unidade Curricular. Esta sessão foi dedicada à
problemática da investigação em Educação e das suas fases. Ao que parece, e
embora seja uma prática recente, a investigação
em Educação apresenta uma certa dicotomia:
por um lado, a busca de conhecimento científico e, por outro, a busca de
soluções práticas para os problemas a partir da compreensão dos fenómenos.
Nesta sessão, o professor também focou
as três fases da investigação:
- Problemática – delimitação do problema (questões e objetivos da investigação);
- Planeamento – plano de investigação (objeto de análise; instrumentos de análise; informadores e o modelo de análise);
- Execução – recolha, análise e interpretação (resultados; conclusões; aplicação e implicações).
Segundo Tuckman (2000), ao selecionar
o problema de investigação temos de ter em conta alguns critérios relevantes,
tais como:
·
A aplicabilidade e exigências;
·
A aplicabilidade crítica, a extensão e a
complexidade;
·
O interesse para nós e para os outros;
·
O valor teórico e a potencial contribuição para
a nossa compreensão do fenómeno;
·
O valor prático e a potencial contribuição para
a aplicação.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Primeira Sessão Síncrona
No dia 10.11.15 teve lugar a
primeira sessão síncrona da Unidade Curricular de Metodologias da Investigação
I e, infelizmente, por razões profissionais não pude assistir. Contudo, a minha
gentil colega Luísa Lalanda forneceu-me alguma informação sobre o conteúdo da
sessão. De forma breve, foi, então, uma sessão dedicada a:- Paradigmas Investigativos;
- Características do conhecimento científico;
- Problemática investigação vs avaliação e respetivos componentes da avaliação;
- Investigação em educação.
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